Repetição de alguns dias

Quando o sol nascer
Vestirei o melhor
Fato

O único que me resta da humanidade
Dos dias
E arranjarei um cavalo
Mecânico sem sentimentos
Bem oleado nas juntas
E resistente ao meu-mau tempo
Depois,
De estômago seco
Forrarei as mãos com geada
Atarei um vinco
Ao traço grosseiro do horizonte
Arranjo a gravata
Coço-me do dia anterior – os braços
Da apanha do figo
Componho a secretária
Desarrumo a papelada
Para me esconder melhor
E espero pelo fim do dia
Que ainda não começou.

Text by © Paulo Miguel Rema – Portuguese Version

Photo: Paulo M. Rema

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