Obscurena Went – Muxito’s Resort Estate

Located on the southern bank of the Tagus river, about 10 km from Lisbon, the luxurious Muxito’s tourist estate was inaugurated in 1957, and it would become the pride of the hotel industry of the Tagus left side and of the Municipality of Seixal during the later years of the 50’s, 60’s and early 70’s.

The complex was formed by a hotel with 60 rooms, apart-hotel, camping, a children’s playground, dance club, swimming pools, including Portugal’s first Olympic pool, single houses, artificial lakes, tennis courts, a football field, and a small bullfighting arena, with everything surrounded by  vast green spaces. It also had its own path that connected to the beach located in the Fonte da Telha village.

Very popular and heavily appreciated by the Portuguese social elite, it was frequently used to house football teams. It was also usual to provide lodging for the ship-owners and supervisors who traveled to Portugal on the occasion when ships were being repaired in Lisnave’s shipyards, due to its proximity with Muxito.

The company Lino & Zambarra was the owner of the estate, and was planing the augmentation of the complex and the construction of what it would be, if concluded, Portugal’s largest shopping center at the time. Such plans would not come into fruition, however, because, while Muxito had enormous success and provided massive profits, Lino & Zambarra had other businesses ventures that were heavily failing and losing money. With the death of the its founder in 1973, Muxito’s resort estate would close its doors and Lino & Zambarra would file for bankruptcy.

The place was then sold at an auction, bought by another hotel company, property of a WWII’s Yugoslavian refugee named Gordana Bayloni, backed by money from well established people and other very important Portuguese institutions. A new project was developed and given green light, which consisted in the expansion of the estate, and the construction of a new hotel and more houses, but because it lacked funding it would be canceled, with little more than some repairs and maintenance works done.

After the Carnation Revolution in 25th of April of 1974, Muxito, a famous symbol of the upper class and the old regime’s Portuguese elite, saw in 1975 its property seized and occupied by political groups from the Far Left. Smaller groups like the FSP (Popular Socialist Front) and LUAR (League of Revolutionary and Unity Action), and later the PCP (Portuguese Communist Party) took hold of the estate, which resulted in the looting and theft of all the building’s contents. Muxito would then be converted into a tenant’s commune, a kindergarten, a support center for disabled people and a space dedicated to circus arts, along with the reopening of the pools and the restaurant up to 1977.

After 1977, all the buildings and the estate would be completely abandoned, being subjected to more decay, overgrown of local flora and invaded by small fauna, being sometimes used as shelter for drug addicts and homeless.

Throughout the years, the state would try to compensate the company that currently owns the property, but to no avail. The heirs of Gordana Bayloni, who passed away in 1999, have attempted to recover the estate with their company, the “Lare-i-rá”, starting by making some of the houses available for renting to seven families in 2002, but still failing in gather the money necessary to reinvest in the remaining nine hectares.

Today, the hotel and remaining buildings, with the exception of the restaurant and a bar named “Black & White”, are still abandoned and in decay. Some of the houses were rebuilt and renovated, being currently used by several families. The hotel building is frequently used by fire departments, emergency services and military units for training in several types of operations. Many adepts of derelict and abandoned places and amateur photographers stroll through all it’s places. The future of Muxito, however, remains uncertain.

Portuguese Version

Situado na margem sul do rio Tejo, a cerca de 10 km de Lisboa, o empreendimento turístico de luxo do Muxito foi inaugurado em 1957, e viria a se tornar o orgulho hoteleiro da margem sul do rio Tejo e do concelho do Seixal durante os finais dos anos 50, anos 60 e inícios do anos 70.

O complexo era constituido por um hotel com 60 quartos, apart-hotel, parque de campismo, parque infantil, discoteca, piscinas, entre elas a primeira piscina olímpica do país, vivendas, lagos artificiais, campos de ténis, um campo de futebol e uma pequena praça de touros, tudo abrangido por imensos espaços verdes. Possuía também um caminho próprio até à praia da Fonte da Telha.

Popular e muito apreciado pelas elites sociais portuguesas, era costume alojar e receber equipas e selecções de futebol. Também era costume a Lisnave reservar quartos para os superintendentes dos armadores estrangeiros que deslocavam a Portugal aquando das repações dos navios amarados nos estaleiros, dada a sua proximidade com o hotel.

A Lino & Zambarra era a empresa detentora do complexo e tinha em projecto a ampliação do empreendimento e a futura construção daquele que, se fosse concluída, seria o primeiro grande centro comercial em Portugal.

Tais planos não viriam a se concretizar, porque apesar do enorme sucesso e dos lucros que apresentava o complexo turístico do Muxito, a Lino & Zambarra possuía outros negócios que se mostrariam ruinosos e geravam prejuízos elevados. Com a morte do fundador do complexo em 1973, o Muxito fechou as suas portas e a Lino & Zambarra declarou falência.

O espaço viria a ser leiloado e adquirido por uma empresa hoteleira, propriedade de uma jugoslava, refugiada da 2ª guerra Mundial, de seu nome Gordana Bayloni, apoiada com capitais de diversas personalidades conhecidas  e outras instituições portuguesas. Um novo projecto foi posto em marcha que consistia na ampliação do espaço, a construção de um novo hotel e novas vivendas, mas que por falta de capital viria a ser cancelado com pouco mais que algumas pequenas obras de manuntenção concluidas.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, o Muxito, famoso símbolo de classe alta e das elites portuguesas do antigo regime, viu, em 1975, a sua propriedade ser ocupada por grupos da extrema esquerda. Grupos como a FSP (Frente Socialista Popular) e a LUAR (Liga de Unidade e Acção Revolucionária), e posteriormente o PCP (Partido Comunista Português) apossaram-se da propriedade do Muxito, resultando na delapidação e no desaparecimento de todo o seu conteúdo não imobiliário. O Muxito seria convertido numa comuna de moradores, num infantário, num centro de apoio aos deficientes e num espaço dedicado às artes circenses, em conjunto com a  exploração do restaurante e das piscinas até 1977.

A partir de 1977 os edifícios e o espaço acabariam por ser totalmente abandonados, sendo posteriormente sujeitos a uma maior degradação e à invasão da flora local, e pontualmente habitado apenas por animais, alguns sem-abrigo e toxicodependentes.

Ao longo dos anos, o estado procuraria indeminizar a empresa detentora do espaço, mas sem sucesso. Por sua vez, os herdeiros de Gordana Bayloni, entretanto falecida em 1999, tentaram recuperar o espaço, através da sua empresa, a “Lare-i-rá”, começando pelo arrendamento de algumas das vivendas a sete famílias em 2002, mas falhando em adquirir os capitais necessários para  reinvestir nos restantes 9 hectares

Hoje em dia, o hotel, e demais edifícios, com a excepção do restaurante e de um bar chamado “Black & White”, continuam ao abandono e em degradação. Algumas das vivendas foram recuperadas, estando actuamente a serem utilizadas por várias famílias. O edifício do hotel é frequentemente utilizado por corporações de bombeiros, equipas da protecção civil, e unidades militares, para treino de operações. Vários apreciadores de locais abandonados e fotógrafos amadores agora passeiam pelos restantes locais. O futuro do Muxito, no entanto, continua incerto.

Photography: Paulo Janela

Text: Fernando Simões

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